Sonho de Menina

Em 01.07.2017   Arquivado em Diário de bordo

Não sei exatamente como as mulheres tomavam conhecimento de si antes da existência das vitrines. Eu me tornei uma menina quando percebi que meus sonhos estavam todos contidos sob uma dessas bonitas janelas de vidro, onde figuras sorridentes desfilavam seus lábios vermelhos, cabelos ao vento e o amor de suas vidas à espera, carregando todo o destino delas em um abraço. Tudo estava lá, com a leveza que uma criança tem ao ser carregada pelo pai.

Quando fiquei mais moça, desejei ir além das vitrines para passear pelas revistas nas bancas, desvio que guiou toda a minha trajetória profissional. E foi em meio às minhas desventuras com o papel que encontrei essas mocinhas sorridentes da revista Trip, conhecidas pelo público como Trip Girls. Foi paixão instantânea.

Fonte: Revista Trip.

Fonte: Revista Trip.

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Sobre estar no segundo curso de graduação

Em 13.05.2017   Arquivado em Diário de bordo
Elisabeth Moss as Peggy Olson

Peggy Olson. Fonte: AMC

Dia desses, fiz um post-desabafo no Facebook sobre “crise de idade”. É bem verdade que tenho só 24 anos, mas nesses tempos confusos, a sua idade nunca lhe dá posições certeiras sobre entre quais coordenadas da vida você deveria estar. Observando os colegas da Comunicação Social – Jornalismo, minha primeira graduação, sou tomada por aflições, e percebo que estou longe de conquistar um emprego que me permita viver sozinha, ou um marido que queira decorar a casa e criar vários cães comigo. Por outro lado, é impossível não me sentir uma anciã ao observar os teenage dreams de meus amigos da faculdade.

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Riso na ponta de um nariz gelado

Em 13.04.2017   Arquivado em Diário de bordo

Que memórias serenas se escondem nas luzes de um parque de diversões
Como a ponta do nariz que congela, rubro, guiando um sorriso surpreso de quem brinca com a geada entre dedos
E as tardes que passamos a observar fileiras de formigas enquanto a chuva chegava de fininho
E os raios de cor laranja que escorriam pelos céus no pôr do sol em minha cidade
Cinza azulado, amarelo arroxeado
Nuvens granuladas
Abraçar os joelhos
O carrossel que gira devagarzinho no fim de uma tarde, no fundo de uma de nossas fotos mais antigas
E os amigos que estremecem no alto de uma roda gigante
Como um caleidoscópio a desencadear uma névoa do que já não somos e do que ansiamos para ser

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Uma mulher que escreve.

Em 02.04.2017   Arquivado em Diário de bordo

Capítulo I: o que é precioso para você?

Matricular-se em uma matéria que exija um olhar tão próximo de si é uma missão quase sado-masoquista no curso de Design. Não porque olhar para si seja cruel (na maioria das vezes é), mas porque todas as outras disciplinas demandam que você se dobre em quatro para entender como desenhar uma cadeira Eames em diferentes perspectivas ou como fazer uma caixa de ovos que o proteja de uma queda de 3 metros. A disciplina de Joalheria Contemporânea, porém, me desafiava com uma perguntinha só:

“o que é precioso para você, considerando os fenômenos da contemporaneidade que nos afetam?”

 

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Ribs

Em 28.02.2017   Arquivado em Diário de bordo

We can talk it so good
We can make it so divine
We can talk it good
How you wish it would be all the time  (Lorde)

Eu tenho pavor de perder o controle de minha vida. Ouvi devotos falarem sobre um deus temível, muito pouco alinhado com as mensagens de amor que seu filho propagara nessa terra. Guiar pessoas pelo medo é um tanto covarde. Em uma família de pessoas tão machucadas como a minha, esse deus é o que as pessoas mais citam durante o dia. Eu me recuso a acreditar em sina, embora me ameacem com ela todo o tempo.

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O coração do Carnaval é de Minas

Em 08.02.2017   Arquivado em Sem categoria

A alma de BH é de confete, risada e purpurina.

Seja Dercy - Divulgação

Seja Dercy – Divulgação

Virou rotina: tenho uma ideia para discutir com vocês, começo o texto, e sou tomada por tantos receios que eu não consigo finalizá-lo. Eu gostaria que a insegurança não fizesse parte da rotina de uma estudante de Design e empreendedora, mas ela faz, e nos provoca instantes intermináveis de silêncio – e um falatório inquietante por dentro.

O fato é que o Carnaval tá chegando, e me desculpem os foliões do Nordeste (só de mencioná-los, meu coração já acelera de entusiasmo!) e do Rio, mas a minha cidade, Belo Horizonte, é a que mais tem me enchido os olhos de alegria neste aspecto.

Só ela conseguiu despertar essa vontade de sair destemida pelas ruas, a alma pulsando de tanta cor, só para tomar uma cerveja, encontrar os amigos e celebrar as bobiças dessa vida. E tudo porque o Carnaval aqui se destacou na intimidade, um bloquinho cá, outro lá, tudo de maneira independente e horizontal, com reuniões de amigos e temas que mais pareciam piadas internas. Porque Minas é assim: tudo parece muito íntimo, mas todo mundo tá convidado para a festa!

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Lista de Ano Novo

Em 31.12.2016   Arquivado em Diário de bordo

Seria bastante cafajeste de minha parte dizer que voltei, e que a partir de agora será tudo diferente. Mas você pode preparar a sua mão para me dar um dramático e sonoro tapa na cara, porque eu voltei, e a partir de agora será tudo diferente.

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Muda.

Em 11.11.2016   Arquivado em Diário de bordo

É fato conhecido que a tristeza provoca algumas alterações cerebrais, de modo que a nossa visão sobre o mundo fica mais acizentada. Eu estava a caminho da aula, sem livros para ler, e como de costume me pus a olhar a paisagem e imaginar histórias sobre as pessoas que passavam por mim. Havia passado o dia chorando, sem delinear motivos, mas a sensação do corpinho gelado de Lili sob as minhas mãos ecoava em minha cabeça. Veja bem, eu vendo palavras baratas, e até hoje não consegui tecer um texto apropriado sobre a morte de uma das minhas melhores amigas.

Há alguma peculiariedade em um trajeto que passe por uma zona hospitalar. As pessoas embarcam no ônibus com os rostos enrijecidos, as mãos repletas de sacolas, as costas curvas, os pés rachados. A doença revela vincos e vínculos.

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Car*lho, o que a falta de tempo está fazendo comigo?

Em 07.09.2016   Arquivado em Diário de bordo

Cacete, eu tenho andado tão bolada quanto Kanye West – se você não se chama Ana Rodarte, não me compare a Kanye, eu abomino este homem (ok, talvez eu realmente o adore, mas mantenha isto em segredo e longe daquela tagarela egocêntrica). Carrego um pote de castanhas na bolsa para estar sempre em dia com as gorduras boas que devemos ingerir diariamente, tomo suco verde todos os dias, uso protetor solar, sou vegetariana, ando como um rurouni e tomo mais líquido que a sua caixa d’água. Mas eu tenho me sentido doente.

Estou sem tempo e tenho um mundo inteiro para conhecer. Ainda não fui a Paris, não vi os bordados da Maison Lesage, não vesti uma Agent Provocateur, não usei Manolo Blahniks para comer macarrons na Fifi Chachnil e definitivamente não falo italiano. Estou sem energia, constantemente cansada e, ao mesmo tempo, sedenta. Eu me sinto constantemente como a Rory Gilmore quando ela encara a biblioteca central de Harvard pela primeira vez. Estou devastada pela minha pequeneza.

 

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E se você acha que a falta de tempo é algo bonito para se exibir por aí, eu gostaria de esfregar um belo prato de torta nesta sua fuça. Falta de tempo emburrece. E eu vou lhe contar como descobri isto:

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