Tinder para roupas usadas: conheça o Roupa Livre app

Em 08.12.2015   Arquivado em Sem categoria
Fashion and Sustainability - Fonte Fashion Maga-zine

Fonte: Fashion Maga-Zine

Você se lembra daquelas peças que estão encostadinhas no seu armário? Elas tiveram o seu brilho um dia, mas hoje não servem mais ou não combinam mais com o seu estilo. Daí ficam lá no cantinho delas, olhando para você a cada vez que você abre o armário, as encara, lembra das aventuras legais que passou com elas e não as escolhe. Eu entendo o sentimento, pessoal, mas uma #Girlboss sabe que roupa parada é símbolo de estagnação. E o que estamos precisando agora, principalmente neste 2015 pesadíssimo, é de mudanças boas. Que tal dar um destino legal a essas peças paradas em um esquema Tinder? Esta é a proposta do aplicativo Roupa Livre, que está em campanha de financiamento no Catarse.

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SWEATSHOP: What kind of life is this?

Em 27.01.2015   Arquivado em Sem categoria

Anniken Jorgensen, Frida Ottesen e Ludvig Hambro aceitaram um desafio: passar um mês junto a trabalhadores de fábricas têxteis em Phnom Penh, capital do Camboja. As experiências destes jovens blogueiros foi registrada em Sweatshop: Dead Cheap Fashion (Joakim Kleven, 2014), uma websérie do jornal Aftenposten, um dos maiores da Noruega.

No primeiro episódio, os três noruegueses recebem câmeras e registram os guarda-roupas badalados que possuem, repletos de roupas. É bastante incômodo porque os jovens fazem um grande espetáculo sobre si – sintomático da geração selfie. Ludvig declara, rindo, que compra grandes quantidades de roupas e deixava de usar diversas delas. Havia peças das quais ele nem se lembrava. Mudanças drásticas acontecem quando os jovens trabalham todo o dia em uma fábrica – a única que permite filmagens – para ganhar, cada um, cerca de três dólares. Depois disto, os jovens são desafiados a comprar comida para dez pessoas com a quantia que receberam. Ainda mais impactante é o momento em que os blogueiros reúnem-se com alguns trabalhadores cambojanos (cujos rostos são protegidos) e ouvem depoimentos sobre as rotinas de trabalho destas pessoas. Uma mulher afirma que trabalhou durante 14 anos em uma mesma fábrica, exercendo uma mesma função e um mesmo tipo de costura.

"Our bathroom is larger than her entire house." Frida, Ludvig e Aniken visitam a casa da cambojana Sokty. Foto: Hypeness

“Our bathroom is larger than her entire house.” Frida, Ludvig e Aniken visitam a casa da cambojana Sokty. Foto: Hypeness

Os três parecem alheios a tudo, o que é um aspecto interessante da série: os jovens não estão cientes do jogo em que estão inseridos, o que permite o surgimento de reações espontâneas. A duração do programa é curta, causando cortes abruptos e uma passagem de tempo insuficiente para assimilar a experiência dos jovens. É uma escolha, porém, compreensível para o formato. Ainda assim, é possível perceber o amadurecimento dos blogueiros sobre o tema. Essa mudança é mais perceptível em Anniken. Nos primeiros episódios, a garota dizia que os cambojanos estavam acostumados àquela rotina de trabalho, e por isto eram mais resistentes. No entanto, ao ouvir uma mulher que trabalhou durante 14 anos em uma mesma fábrica e cuja mãe morreu por passar fome, Anniken sofre um choque de realidade. Em um dos momentos mais fortes da websérie, Anniken formula uma frase emblemática: What kind of life is this (“Que tipo de vida é esta”)?

Anniken ouve o depoimento de uma cambojana que há 14 anos exerce, em péssimas condições, uma mesma função em uma fábrica têxtil, Foto: Hypeness

Anniken ouve o depoimento de uma cambojana que há 14 anos exerce, em péssimas condições, uma mesma função em uma fábrica têxtil, Foto: Hypeness

A percepção de Anniken é um lembrete ao espectador: aquelas pessoas não escolheram essa vida. Um regime semi-escravo nunca foi um sonho delas. E estes cambojanos, assim como milhares de chineses, indianos, bolivianos e tantos outros pelo mundo, não têm apoio de muitos. É como se eles não existissem, e seus contratadores cuidam muito bem de que esta inexistência seja mantida: famintas e cansadas, essas pessoas são presas em pequenos cômodos e não têm contas em bancos ou sequer documentos de identificação. Quando perguntadas sobre o assunto, como acompanhamos nas diversas matérias aqui no Brasil sobre apreensões do Ministério do Trabalho, as marcas simplesmente declaram que não têm ciência destas situações. A regra, no entanto, é clara: compramos itens a preços baixos porque alguém está passando fome. Existe uma Noruega porque há uma Camboja. Ainda assim, marcas altamente conceituadas empregam mão-de-obra em regimes análogos ao de escravidão. Não é uma questão de preço apenas. Trata-se de uma completa ausência de ética e de um ciclo que é retroalimentado por consumidores que se eximem da própria responsabilidade. A culpa também é nossa.

Sweatshop causou grande polêmica na Noruega, e as condições das fábricas têxteis asiáticas virou tema de discussão no Parlamento. Algumas marcas divulgaram posicionamentos após a repercussão da série, mas somente o comunicado da H&M foi transmitido: “[o programa] não visitou as fábricas da H&M e não perguntou sobre o trabalho em sustentabilidade que fazem”. Porém, em uma entrevista ao site espanhol El Diario, Anniken Jorgensen afirmou que ela e os colegas encontraram depoimentos horrendos de pessoas que trabalhavam para a empresa americana, como você confere aqui. Sweatshop pode ser assistida com legendas em inglês aqui.

Anniken, à época da websérie, tinha cerca de 10.000 acessos diários no Annijor. Frida possui uma conta agitada no Instagram. Ludvig parece ter deletado seus perfis na internet, e só encontrei o Facebook dele.

_Gostaria de dedicar este post a Izadora, Paula, Júlia e Danielle, que se lembraram de mim quando leram sobre a série e mandaram, em um mesmo dia, os posts e notícias que encontraram. Fico muito feliz que a causa de uma produção ética e sustentável esteja sendo divulgada e ganhando mais adeptos. Agradeço muito pela lembrança e pelo incentivo, meninas! Isso é muito precioso para mim.

Capa: Fábrica da Nike (nãoregistrada pela websérie. Urbantimes.co

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Conhecendo a Lingerie Orgânica

Em 24.01.2015   Arquivado em Sem categoria

Como todos temos acompanhando nos noticiários, o Brasil enfrenta uma crise de água e energia, principalmente na região Sudeste. Acredito que é muito importante que cada um assuma um papel protagonista neste momento. Aqui no Fashiombudz, estamos especialmente interessados nas funções da indústria têxtil dentro deste sistema de aproveitamento de recursos naturais. É preciso reforçar: é essencial que tenhamos ciência dos processos de produção de nossos bens de consumo para entendermos como algumas escolhas afetam significativamente no impacto socio-ambiental destes produtos. Um trabalho interessante tem sido feito no setor de moda íntima: a lingerie orgânica.

Lingerie produzida com algodão orgânico. Fonte: Brook There

Lingerie produzida com algodão orgânico. Fonte: Brook There

Um caso curioso se tornou bastante conhecido nas redes sociais no começo deste ano. A parisiense Do You Green criou as chamadas Organic Lingerie, uma linha de roupas íntimas feitas com material derivado do pinheirinho de Natal. O tecido é produzido através do tratamento das cascas de árvores que foram jogadas fora depois das festas natalinas. Os corantes utilizados também são provenientes de materiais não tóxicos. As peças têm assinatura da designer Sophie Youn e custam entre 30 e 150 reais.

Fonte: Do You Green

Fonte: Do You Green

 

Do You Green Organic Lingerie 2

Fonte: Do You Green

A grande parte das lingeries tidas como “orgânicas” são feitas de algodão orgânico, obtido em sistemas sustentáveis através do manejo e a proteção dos recursos naturais. As lavouras de algodão são campeãs mundiais no uso de agrotóxicos. O tipo orgânico, no entanto, não recebe agrotóxicos, adubos químicos e outros insumos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana. Algumas das malhas de algodão sequer passam por processos de tingimento. O algodão colorido é cultivado há mais de 4.500 anos, mas somente nos últimos anos ele passou por pesquisas genéticas que deixassem as fibras e longas, ideais para a produção de malhas. De acordo com o site Natural Fashion:

O processo de tingimento usa corantes e uma imensa quantidade de água fervente em grandes caldeiras onde são cozidos durante algum tempo. Além de gastar muita água, também é necessário gás ou outro combustível para esquentar as caldeiras. Depois do tingimento, se esse caldo colorido que sobra não for tratado, poderá contaminar as nossas fontes de água potável, pois é um resíduo poluente para o meio ambiente.

Pra se ter uma ideia, uma peça de roupa feita com algodão colorido utiliza, em média, apenas 10% da água gasta em uma confecção tradicional.

Outra vantagem é que, como o tecido de algodão colorido não tem corantes, ele é hipoalergênico: significa que as roupas fabricadas com esse tecido são ideais para o uso por pessoas alérgicas.

Há outros materiais envolvidos na produção da lingerie orgânica. De acordo com a IstoÉ, o Lenzing MicroModal começou a ser empregado, no Brasil, pela Hope e pela Valisére. As fibras deste tecido são feitas a partir da faia, uma árvore nativa da Europa. Somente as árvores mais novas são processadas e repostas, e as mais antigas ficam intocadas. Outro diferencial está no processo de embranquecimento do material: no lugar do cloro, utiliza-se ozônio e oxigênio.

Plantas que têm o crescimento rápido também são uma alternativa para as empresas que se preocupam com a economia de solo e água. Algumas delas são o bambu, a soja e o cânhamo. Porém, como lembra a blogueira Cora Harrington (Lingerie Addict), alguns materiais não-orgânicos ainda são necessários para confecção da eco-lingerie, como o elastano, que garante melhor usabilidade da peça e mais possibilidades de design.

Ainda é necessária uma maior transparência sobre as condições de produção destes produtos. Uma peça pode levar materiais orgânicos e ser costurada na China ou em Bangladesh, gerando poluentes de transporte e contribuindo para um sistema não sustentável de produção, sem quaisquer preocupações com as condições de trabalho da mão-de obra. Portanto, as variáveis da conta de um material orgânico envolvem também o local das fábricas, as condições de corte e costura, do transporte e da mão de obra. Embora não seja um exemplo de empresa interessada em produtos orgânicos, a Everlane possui uma interessante política de transparência sobre a manufatura dos produtos e os preços:

A American Apparel também é um exemplo a ser observado. As indústrias da marcase concentram no estado da Califórnia, obedecendo legislações de proteção ao meio ambiente (a EPA, Environmental Protection Agency). Concentrar as operações em um único local elimina grande parte das emissões de carbono causadas pelo transporte. Além disso, os resíduos da fábrica, tais como tecidos, plásticos e papeis, são reciclados e cerca de 20% da energia elétrica da empresa é solar.

Alguns certificados garantem a manutenção da produção orgânica. No Brasil, temos o Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica (SisOrg), ministrado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Este selo público oficial é usado desde 1 de janeiro de 2011 e tem a função de identificar e controlar a produção nacional de orgânicos. Ele pode ser concedido pelos Organismos de Avaliação da Conformidade (OAC) credenciados pelo MAPA.

Na próximas semanas, indicaremos aqui no Fashiombudz algumas marcas que tenham processos interessantes para manutenção de uma produção sustentável, com economia de recursos e redução do impacto socio-ambiental. Acompanhe!

Capa: ABOUT Baltic Underwear Spring-Summer 2015 lookbook backstage. Disponível no Flickr.

Projeto flor de lótus: presidiários produzem moda e dão uma lição de inclusão social

Em 12.01.2015   Arquivado em Sem categoria

Meu ano de 2014 foi marcado por meu período como produtora e repórter da Rádio UFMG Educativa. Tive oportunidades únicas e gostaria de compartilhar uma das experiências mais gratificantes que tive neste ano: conhecer o projeto Flor de Lótus, da marca Doisélles.

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