Unravel: O destino das nossas roupas

Em 02.02.2016   Arquivado em Sem categoria

Já parou pra pensar no que realmente acontece com as suas roupas? Você olha pra elas em uma vitrine ou site, se apaixona, compra e usa quantas vezes quanto possíveis. Depois disso, decide que ela não cabe mais no seu guarda-roupas ou já não serve em você, e opta por fazer uma doação ou venda. A roupa troca de mãos e o ciclo se repete.
Mas qual é, na verdade, o destino final das peças? Lixo? Decomposição?

Fonte: GarimpoMag


O documentário Unravel (Meghna Gupta, 2012), filmado entre 2009 e 2011, conta a história de Panipat, uma pequena cidade da Índia, para onde são enviadas toneladas e mais toneladas de roupas para serem recicladas, transformadas em cobertores:

O que espanta, além das montanhas imensas de peças de todas as cores, materiais e tamanhos, é o estado de conservação de algumas peças. Em discussão, as meninas entrevistadas especulam o motivo do descarte dessas roupas: crêem que as pessoas se enjoam ou que tem preguiça de lavá-las.
Faz a gente pensar, não é?

As diferenças culturais são gritantes: o tempo de conservação, a questão de acesso a esses bens de consumo, a relação com o que é vestido, os questionamentos a tamanhos, colorações e modelos. Além de não conseguirmos pensar em consumir tão pouco, podemos refletir que não sabemos como são os costumes e códigos de vestimenta de outras culturas, bem como elas têm dificuldades em compreender como o ocidente (especificamente a Europa) consome, em forma e quantidade. Parecem estar alheias à qualidade dessas peças que rasgam, com aparelhos, para que se transformem em fios e, posteriormente em cobertores.

Apesar de não abordar questões diretas sobre condições de trabalho dessas mulheres, o filme promove uma discussão relevante sobre o sistema de produção têxtil.
Desde 2012, quando foi lançado, o documentário vem ganhando prêmios em festivais, além de trazer a tona questões sociais, políticas e econômicas. Fica o convite para refletir: quanto você consome? Quanto é realmente necessário? Qual será a forma de descarte desse material?

Este texto é uma colaboração de Ana Luísa Mayrink, uma jovem pra lá de consciente e capaz de nos fazer suspirar com o próprio estilo! Conheça o blog dela aqui!