Como é a vida de um estudante de Design?

Em 01.05.2016   Arquivado em Sem categoria
Uau! Já estamos no dia primeiro de maio! Tenho tido uma carga um tanto preocupante de compromissos, e depois de uma boa lida no Vida Organizada em busca de orientações para deixar a minha rotina sustentável, decidi que preciso tirar um pequeno momento no mês para refletir no que farei nas quatro semanas seguintes. Achei que seria legal compartilhar esta etapa importante! :) Tenho estudado tanto e feito tantas descobertas que me sinto um bocado egoísta por não vir aqui e compartilhar um pouco com vocês. Então ontem eu estava saindo de um curso de upcycling às 18hs de um sábado e pensei que seria legal contar como é a rotina de um estudante de Design – que aliás, ainda bem, não era nada do que eu pensava.
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Qual curso escolher:  Design de Moda ou Design de Produto?

Desde que vi Gisele Bündchen desfilando em um terno masculino para Ricardo Almeida, algo em mim gritava para que eu trabalhasse com moda, de alguma forma. Eu levava minhas bonecas a desfiles imaginários, passava horas examinando os editoriais de revistas e desenhava croquis com a pretensão de um John Galliano. Porém, como já contei algumas vezes por aqui, fiquei bastante intimidada pela ideia do que seria trabalhar com moda, e no momento de fazer o vestibular, optei pelo Jornalismo. Os anos passaram, eu me formei em Comunicação Social e, com um enorme vazio por não ter realizado o meu sonho, decidi prestar o vestibular novamente.
Por que eu não escolhi o Design de Moda? Bom, aqui em Belo Horizonte, os melhores cursos de Design de Moda ainda são ofertados por universidades particulares, com mensalidades bem altas para quem precisa financiar uma coleção como TCC. A Universidade Federal de Minas Gerais possui um curso de Design de Moda que ainda engatinha, e pelo fato de ainda estar construindo a própria estrutura, oferece uma série de matérias teóricas. Como eu já tinha uma bagagem teórica bem interessante do curso de Comunicação (com Ranciérre, Barthes, inúmeros estudos sobre gênero e cinema e, meu favorito, Lipovétsky), achei que já estava mais que na hora de colocar a mão na massa. Eu sou formada pela UFMG, e também já estava com uma certa ânsia de mudança de ares.
Além de desejar um curso com maior carga prática, eu também queria uma abordagem ampla, que me oferecesse bagagem para trabalhar com a sustentabilidade no campo da moda. Afinal, depois de tanto ler sobre a abordagem slow e livros sobre a área, vi que os saberes estavam muito integrados, e não me bastaria ficar apenas em um atelier. Então optei pelo curso de Design de Produto, que também me permitiria atuar no campo fashion, se eu fizesse um pouco de especialização. Por isso, faço um curso de costura nos finais de semana, um de ilustração de moda e cursos livres, como o de Upcycling ofertado pela Gabriela Mazepa, do Re-Roupa, em parceria com a FARM, neste fim de semana.

Caso você esteja pensando por qual curso optar no momento do vestibular, recomendo que além de verificar a grade curricular dos cursos e conversar com alunos e profissionais da área, faça uma visita às universidades que oferecem o curso. Assim, você terá uma boa noção da infra-estrutura, do clima da faculdade e se o seu investimento valerá a pena! Especialmente em Moda, é preciso dar a cara a tapa e se desvencilhar das ilusões e mitos da área no momento da pesquisa por uma carreira. E isto só se dá com conversas bem francas e muita curiosidade. A UNA, que nos recebeu para o curso de Upcycling do Re-Roupa+FARM, por exemplo, ainda está construindo a sua reputação aqui em BH e tem uma infra-estrutura bem legal para o curso de Moda. Fiquei impressionada pela boa vontade dos professores e monitores de lá!

Zero glamour: dedos calejados, unhas sujas de grafite e noites sem dormir

Mesmo após ter passado quatro anos em um ambiente universitário, eu fiquei um tanto ansiosa quando soube que havia sido aprovada para o curso de Design. Na minha cabeça, o curso seria como um clipe do Cansei de Ser Sexy, com pessoas descoladas demais para uma pixota como eu – quero que saibam  que estou batendo o cabelo com “Lets Make Love and Listen to Death From Above” neste momento. Eu estava preocupada com o que vestiria e se as pessoas iriam fazer amizade comigo.

Bom, a vida me surpreendeu positivamente – embora eu  também quisesse ser a Lovefoxx com cabelos cor-de-rosa -, e eu fui acolhida por uma turma de pessoas maravilhosas, com os mais diversos interesses. O clima é de muita colaboração, e sinto que a troca de conhecimentos tem sido intensa….assim como a carga de trabalhos: somente para esta semana, tenho de entregar 60 desenhos  que deixei acumular por causa de meus freelas e de um resfriado que me pegou em um momento de baixa imunidade. Temos uma carga pesada de tarefas para casa, e treinamos nosso olhar com muita voracidade. Representação Técnica faz com que eu me sinta uma aprendiz de engenheira, e eu já trouxe Lipovétsky para refletir o capitalismo artista e o endeusamento de Beyoncé.

A desconstrução do tal “mundo da moda”

Bom, e se você é como a Ana de alguns anos e está amendrontado demais com o clima de glamour e muita competitividade que vendem como o “mundo da moda”, preciso te contar um segredinho: este conceito jamais esteve tão ultrapassado.
Raf Simmons deixou a Dior por não suportar o acúmulo de tarefas de um diretor criativo, Stella McCartney ajudar a tornar o conceito de sustentabilidade cool, Alexandre Herchcovich deixou a marca com o seu nome para se dedicar a um trabalho com o qual pudesse se envolver de verdade (e céus, o que este homem fez pel’A La Garçonne não tem preço) e a ideia do “grande estilista” que trabalha isoladamente aos poucos abre espaço para uma visão mais colaborativa de construção de marca. E é com o coração quentinho de felicidade que digo: tenho visto a busca por mais significado, por um ritmo sustentável e por mais valores crescer em cada evento que presencio. A moda está mudando drasticamente, e nós somos a Revolução! #FashionRevolution
Charlotte
Como já disse, tenho estado com a agenda muito movimentada e estudado bastante, mas também tenho me esforçado para me organizar melhor e conseguir compartilhar minhas descobertas em um dos meus cantinhos favoritos da internê! O Fashionbudz está ficando de carinha nova e – eu já tracei como meta- vai receber conteúdos úteis com maior frequência! Se você gostou deste post e quer tirar alguma dúvida ou sugerir pautas, fique à vontade para comentar! Aproveite para seguir a gente aqui no Pinterest e se deliciar com imagens incríveis!  😀